Confirmaram presença os líderes dos Brics e o presidente francês eleito, François Hollande, no encontro
Rio de Janeiro Em meio à ausência de alguns líderes globais ilustres e de entraves na negociação, a ONU e o governo brasileiro ainda apostam no potencial da Rio+20 de ser “a maior conferência climática da história das Nações Unidas”.
Ambientalistas, porém, têm expectativas divergentes quanto à força das decisões que serão tomadas no evento, marcado para 13 a 22 de junho, no Rio de Janeiro. Temores sobre o esvaziamento da Rio+20 vieram à tona, nesta semana, quando uma comitiva de deputados do Parlamento Europeu cancelou sua ida ao Rio, criticando os altos preços dos hotéis na cidade. O mesmo motivo já havia feito com que as delegações europeias que vão à conferência encolhessem em média 30%.
As embaixadas da Grã-Bretanha e da Alemanha também afirmaram à agência France Presse que os premiês David Cameron e Angela Merkel não deverão comparecer à Rio+20.
Eles serão representados, respectivamente, pelo vice-premiê britânico Nick Clegg e pelos ministros alemães de Desenvolvimento e Meio Ambiente. Até agora, não há uma confirmação oficial quanto à ida de Barack Obama, mas é improvável que ele compareça, por estar focado na campanha pela reeleição.
Em contrapartida, confirmaram a presença, os líderes dos Brics e de países sul-americanos e nomes como François Hollande (presidente eleito da França) e José Manuel Barroso, presidente da Comissão Europeia.
Público
“Até agora, os números são animadores”, disse Giancarlo Summa, vice-porta-voz da ONU para a Rio+20. “Temos a confirmação de delegações de 183 países, sendo 135 delas lideradas por chefes de Estado ou de governo ou seus vices”.
Um público total de 50 mil pessoas é esperado no evento, entre políticos, membros de ONGs e da sociedade civil e empresários. Com isso, diz Summa, “temos condições de ser a maior conferência da história da ONU”, avaliou fazendo uma comparação, a Eco-92, principal antecessora da Rio+20, teve a presença de 108 líderes.
A Rio+20 tem como missão definir os rumos do desenvolvimento sustentável nas próximas décadas – em temas como segurança alimentar, economia verde, acesso à água, uso de energia – e dar continuidade à agenda ambiental iniciada na Eco-92, há 20 anos.
Do lado do governo brasileiro, a assessoria do Itamaraty afirma que “não há nenhum medo de esvaziamento” e atribui as ausências à conjuntura interna de alguns países – seja por causa de eleições, crise econômica ou questões políticas.
Segundo a assessoria, essas ausências não afetarão o poder decisório da cúpula, já que a maioria dos países mandará “enviados de altíssimo nível”.
O Itamaraty diz também que reservou 5 mil quartos de hotéis no Rio e em cidades próximas, para hospedar as delegações estrangeiras (quartos de chefes de Estado e seus seguranças serão custeados pelo Brasil, como país-anfitrião). Mas “controlar o preço dos hotéis foge do escopo, é uma questão de oferta e demanda”, declarou.
Diferenças
Ao mesmo tempo, outro desafio da Rio+20 é produzir um documento final com metas concretas e compromissos dos países com o desenvolvimento sustentável. Comunicado da ONU desta semana anunciou mais cinco dias de negociação prévios à cúpula, em Nova York, para que delegações internacionais “superem suas diferenças”.
O mesmo comunicado cita a “decepção e a frustração com a falta de progresso” nas negociações. Isso porque muitos países industrializados relutam em assumir compromissos em temas como cortes nas emissões de gases-estufa e uso de energia limpa. Os EUA, por exemplo, ficaram de fora do Protocolo de Kyoto, criado justamente para conter emissões.
“A negociação está correndo mais lentamente do que gostaríamos”, admite Summa. “A maioria do texto (do documento da Rio+20) ainda está entre colchetes, ou seja, em debate”.
“Um documento fraco levará a um acordo mais fraco ainda”, adverte o representante do Greenpeace Nilo Davila.
Para Mario Mantovani, representante da SOS Mata Atlântica, as expectativas quanto ao evento são decepcionantes. Citando a aprovação do Código Florestal no Congresso, ele diz que o Brasil “retrocedeu” e “não fez a lição de casa” para se gabaritar como líder ambiental global, papel que poderia encampar na Rio+20.
“A sociedade vai fazer seu debate na Rio+20, mas ninguém esperava nada da conferência, com ou sem líderes ilustres”, diz. Já para Pedro Telles, da organização ambiental Vitae Civilis, a eventual ausência de líderes graúdos é “uma pena”, mas pode abrir espaço para maior protagonismo dos países emergentes.
Fonte: http://diariodonordeste.globo.com